Eleição no Brasil é alvo de acompanhamento pela ONU

Instituição teme aumento da tensão política causada pelas eleições presidenciais; vitória de Jair Bolsonaro também preocupa

Publicado em 04/10/2018

As eleições presidenciais no Brasil estão sendo alvo de um acompanhamento específico por parte das agências da Organização das Nações Unidas (ONU). O Estado apurou que a entidade decidiu fazer um monitoramento minucioso do que está ocorrendo no País, temendo que a principal democracia da América Latina possa ser afetada por um clima de tensão política inédito desde os anos 80.
Escritórios da ONU que lidam com política regional ou direitos humanos têm feito o acompanhamento com detalhes sobre a situação atual e cenários. A informação tem servido de base para permitir que a cúpula da organização em Nova York e em Genebra esteja atualizada sobre os acontecimentos e possa, eventualmente, reagir com declarações públicas.
O monitoramento não significa qualquer tipo de envio de missão internacional ou dúvidas sobre o processo eleitoral por parte da entidade.

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Fontes do alto escalão da ONU indicaram à reportagem que dois temas principais estão sendo monitorados: incidentes de violência e tensão durante o processo eleitoral e o impacto que o resultado pode ter em termos geopolíticos no hemisfério Ocidental, já chacoalhado depois da chegada de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos.
Recentemente, foi a vez do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU reagir diante da crescente popularidade do candidato à Presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro. Em agosto, o então chefe do escritório da ONU, Zeid al Hussein, qualificou o discurso do candidato de “um perigo” para certas parcelas da população no curto prazo e para o “País todo” no longo prazo. Ele foi substituído logo depois pela chilena Michelle Bachelet, que, por enquanto, não se pronunciou publicamente sobre as eleições brasileiras.
Bolsonaro chegou a mencionar que, se eleito, o Brasil deixaria o Conselho de Direitos Humanos da ONU, recuando dias depois. “Não serve para nada essa instituição”, disse Bolsonaro. Em julho, durante entrevista no programa Roda Viva, Bolsonaro ainda defendeu a ditadura militar (1964-1985) e disse que, se eleito, não vai abrir os arquivos do regime. “Não houve golpe militar em 1964. Quem declarou vago o cargo do presidente na época foi o Parlamento. Era a regra em vigor”, disse.
O candidato do PT à presidência da República, Fernando Haddad, afirmou que, se eleito, irá aprimorar o comércio e as relações exteriores do Brasil, "estreitando laços" com México e Argentina que, segundo o candidato, poderão ajudar o país a criar mais empregos.
Em entrevista à imprensa em São Paulo, Haddad a disse que, se eleito, irá aprofundar as relações com os países integrantes dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), com o Mercosul e com a União Europeia.
Quanto à integração do Mercosul, Haddad defendeu que "não dá para manter o ritmo atual". "Vamos ter que aprofundar a integração. Eu tenho mantido contato com autoridades da Argentina para buscar uma aproximação, porque o Brasil pode ser solução para a Argentina e a Argentina pode ser a solução para o Brasil, com mais integração e comércio", salientou.
O candidato também afirmou que irá convocar estados e municípios para repactuar a previdência pública dos regimes próprios dos servidores, buscando formas de conseguir "uma forma de sustentação destes regimes".

Fake News
Haddad creditou o aumento da sua rejeição nas pesquisas a uma campanha de fake news que está sendo conduzida, segundo ele, pelo principal concorrente ao Palácio do Planalto pelo WhatsApp. Ele pediu aos eleitores que denunciem notícias falsas.
Em entrevista Haddad já tinha afirmado que a campanha de Bolsonaro está fazendo uma "baixaria" no Whatsapp com "mensagens mentirosas" contra a campanha do PT.
Fernando Haddad disse, ainda, que respeitará resultado das urnas. "Nós, a vida inteira aceitamos o resultado de toda eleição. Nós nunca colocamos em dúvida o resultado eleitoral", defendeu.

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