Ofertas do Canadá, Reino Unido e G7 não chegam a valor perdido com Fundo Amazônia

A crise aberta pelo aumento do desmatamento e a eclosão de milhares de focos de incêndio na região amazônica deixou o Brasil no prejuízo



Por:Jornal NC - Publicado em 05/09/2019

Ofertas do Canadá, Reino Unido e G7 não chegam a valor perdido com Fundo Amazônia

Somadas, as verbas oferecidas pelo G7 (grupo que reúne as sete maiores economias do mundo) e a ajuda anunciada separadamente pelos governos do Canadá e do Reino Unido para controle dos incêndios e projetos de reflorestamento são menores em quase R$ 87 milhões que o valor perdido pelo Brasil com o congelamento de verbas do Fundo Amazônia.
O governo britânico ofereceu 10 milhões de libras (R$ 50,83 milhões) para o Brasil. Já o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, colocou US$ 15 milhões (ou quase R$ 69 milhões) à disposição dos países afetados por fogos na região da Amazônia, entre eles o Brasil. O G7, por sua vez, ofereceu US$ 20 milhões (ou R$ 92 milhões) para os países da chamada Pan-Amazônia. Nem Canadá nem G7 informaram, até o momento, que fatia dessas verbas seria destinada especificamente ao Brasil. Mas ainda que a totalidade desses recursos fosse direcionada ao país, a suspensão das verbas da Alemanha e da Noruega para o Fundo Amazônia é bem maior do que o Brasil deve receber do exterior para controlar a crise nas florestas. No total, Alemanha e Noruega deixaram de repassar R$ 299 milhões para o fundo neste ano. Além disso, a oferta do G7 ainda é alvo de incerteza, devido à escalada na tensão entre os presidentes Jair Bolsonaro e o francês Emmanuel Macron. O mesmo vale para as verbas oferecidas pelo governo do Canadá.

Reino Unido
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, ofereceu 10 milhões de libras ao Brasil em ajuda para combater os incêndios na Amazônia.
Os detalhes sobre como o dinheiro será transferido e investido ainda estão sendo acertados. Segundo fontes dos governos brasileiro e britânico, a conversa ocorreu ontem e o Brasil aceitou o dinheiro. Os recursos não têm relação com os US$ 20 milhões oferecidos pelo G7. A aceitação da ajuda vinda do Reino Unido indica que o Brasil tende a optar por auxílios oferecidos individualmente pelos países-membros do G7 e outras nações.
Seria uma maneira de minimizar a importância dos recursos anunciados por Macron. Juntas, as verbas oferecidas pelos britânicos e pelo governo canadense já superam o total do favor oferecido pelo G7. O presidente Bolsonaro se ofendeu com o fato de Macron levar o tema dos incêndios na Amazônia para debate na cúpula do G7, sem participação do governo brasileiro. Desde então, Bolsonaro e Macron trocaram ofensas que provocaram uma crise diplomática entre França e Brasil.
O francês acusou Bolsonaro de mentir para ele na reunião do G20, no Japão, em junho, quanto aos seus compromissos com a proteção ambiental. Já o presidente brasileiro acusou Macron de utilizar a situação na Amazônia para proveito político próprio e endossou uma piada machista feita no Facebook sobre a primeira-dama francesa.

Veja Também: Desmatamento na Amazônia seria o dobro do registrado pelo Inpe, aponta estudo de universidade americana

Canadá
O Ministério das Relações Exteriores do Canadá disse à BBC News Brasil que o país ofereceu US$ 15 milhões aos países amazônicos, além de aviões-cisterna (aeronaves capazes de despejar grandes quantidades de água para o controle de incêndios) fabricados no país. O futuro destes recursos, no entanto, é um mistério.
Procurado, o Itamaraty diz que não há confirmação sobre a posição do governo brasileiro em relação à oferta canadense. Justin Trudeau, primeiro-ministro canadense, foi o primeiro líder a endossar o chamado do presidente francês para uma discussão de emergência durante o G7 sobre os incêndios na Amazônia.
Nos corredores do Itamaraty, especula-se que o alinhamento imediato entre o Canadá e a França tenha irritado Bolsonaro - o que pode explicar a hesitação em receber a ajuda canadense.
Além deste episódio, Trudeau é conhecido por defender ações globais de combate a mudanças climáticas, algo que o próprio chanceler brasileiro questiona. Ernesto Araújo já chegou a dizer que o aquecimento global é parte de uma “trama marxista”.
Cientistas afirmam que, na verdade, ondas de frio extremo, junto às de calor, são indícios que reforçam a existência de mudanças climáticas.
As diferenças entre os líderes do Brasil e do Canadá vão além. Enquanto Bolsonaro corta verbas e menções a LGBTs em programas do governo federal, Trudeau foi, em 2016, o primeiro líder canadense a participar da Parada do Orgulho LGBT de Toronto, junto a esposa Sophie Grégoire e dois filhos.

Fundo Amazônia
Há duas semanas, os governos da Alemanha e da Noruega anunciaram que congelariam repasses de R$ 299 milhões para o Fundo da Amazônia em 2019. O programa foi lançado 2008 como o maior projeto da história de cooperação internacional para a preservação da Floresta Amazônica. Em 11 anos, os noruegueses doaram cerca de US$ 1,2 bilhão (ou R$ 4,6 bilhões) para o fundo. Em seguida estão os alemães, que doaram cerca de US$ 100 milhões (ou R$ 380 milhões).
Até agosto deste ano, os recursos eram aplicados em 103 projetos ligados à proteção ambiental nos Estados amazônicos, como ações envolvendo tribos indígenas e programas contra queimadas. Com recursos geridos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), as doações do Fundo Amazônia são condicionadas, entre outros fatores, ao controle das taxas de desmatamento na floresta. Na prática, quanto menor for o desmatamento, mais verbas são doadas pelos países-membros.
O fundo se tornou pivô de uma saia justa diplomática desde que o presidente Bolsonaro, por meio de decreto, extinguiu em 28 de julho dois comitês ligados ao Fundo Amazônia sem avisar aos noruegueses e alemães.
Os dois comitês extintos pelo governo brasileiro são conhecidos como Cofa (Comitê Orientador) e o CTFA (Comitê Técnico).
Mais suscetível à pressão dos doadores estrangeiros, o Cofa reunia membros dos governos federal e dos Estados amazônicos, além de ONGs e membros da sociedade civil. Cada membro tinha mandato de dois anos e direito a voto em temas ambientais que envolvessem recursos do fundo.

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