Brasil recebe apenas 2% dos 2,3 milhões de venezuelanos expulsos pela crise

A realidade é que o Brasil não está entre os principais destinos dos migrantes venezuelanos

Publicado em 23/08/2018

Ao longo dos últimos meses, a tensão entre moradores de Pacaraima (RR), de 10 mil habitantes, e migrantes venezuelanos escalou rapidamente. Fugindo da miséria deixada pela crise econômica da Venezuela, cerca de 500 pessoas chegam a cada dia na cidade brasileira que faz fronteira com o país governado por Nicolas Maduro, segundo estimativa da Polícia Federal. Pode parecer bastante, especialmente quando se considera a falta de infraestrutura em Pacaraima uma das cidades mais pobres do país.
Segundo a Organização Internacional para Migrações (OIM) Agência das Nações Unidas para Migrações, o Brasil recebeu apenas 2% dos 2,3 milhões de venezuelanos que deixaram o país fugindo da crise, que piorou significativamente a partir de 2015.
Relatório de julho de 2018 da OIM aponta que pelo menos 50 mil pessoas se fixaram no Brasil vindas da Venezuela até abril de 2018, um aumento de mais de 1.000% em relação a 2015. O número leva em conta pedidos de asilo e residência.
Apesar disso, o número de venezuelanos que o Brasil recebeu até agora é bem menor que o de nações que sequer fazem fronteira com a Venezuela.

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Concentração em uma única cidade
O acesso de migrantes venezuelanos por terra ao Brasil é mais difícil pela densidade de floresta amazônica na fronteira. A cidade mais acessível é Pacaraima (Roraima), que acaba concentrando a grande maioria dos migrantes que cruzam a linha entre Venezuela e Brasil. Uma das medidas necessárias para reduzir a tensão na fronteira é dar agilidade ao programa federal de interiorização dos migrantes, para que sejam levados a outras cidades do país e tenham acesso a serviços de saúde e educação.
O perfil do venezuelano que vai
ao Brasil
Segundo Santoro, muitos venezuelanos que conseguem chegar a São Paulo e ao Rio de Janeiro têm boa qualificação profissional. Mas poucos conseguem trabalhar em suas áreas de especialização por causa da dificuldade em validar os diplomas universitários no Brasil.
Entre os venezuelanos que chegam por via terrestre a Pacaraima, 51% completaram o ensino médio e 26% possuem diploma universitário, segundo a Organização Internacional para Migrações. A maioria desses migrantes é relativamente jovem 71% têm entre 20 e 49 anos e do sexo masculino (quase 60%).
A OIM também destaca que, ao chegar ao Brasil, mesmo os mais qualificados profissionalmente enfrentam dificuldade para encontrar emprego.
Conforme a pesquisa da agência da ONU para migração, 82% das pessoas empregadas estão em postos de trabalho informais. E 83% recebem menos que um salário mínimo.
Também há um número considerável de indígenas warao que cruzaram a fronteira entre 2015 e 2018 e estão em abrigos de Roraima, Amazonas e Pará.
Estimativa de janeiro de 2018 do Conselho Nacional de Direitos Humanos mostra que 370 indígenas warao estão em Boa Vista; outros 370, em Pacaraima (RR); 150, em Manaus (AM); 110, em Santarém; e 100, em Belém (PA).
Argentina, Uruguai e Chile têm recebido grande parte dos venezuelanos com maior nível de escolaridade, conforme o relatório da OIM. Já que nenhuma dessas três nações faz divisa com a Venezuela, a principal rota utilizada neste caso é a aérea.

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