Agricultores focam nos produtos orgânicos para aumentar lucros

Fernando Martins trocou a pecuária pela produção de orgânicos na fazenda que fica em Votorantim (SP)

Publicado em 12/07/2018

Fernando Martins trocou a pecuária pela produção de orgânicos na fazenda que fica em Votorantim (SP). A horta, que surgiu com a proposta de cultivar legumes e verduras mais saudáveis para a família, hoje é a principal fonte de renda da propriedade.
Os produtos orgânicos plantados nos cinco hectares já ultrapassaram o lucro obtido com o gado. No mesmo hectare onde eram criados três bois, são produzidos 170 mil pés de alface.
Da fase no viveiro até a colheita, a alface leva de 45 a 60 dias para ficar no ponto. O gado precisa de dois a três anos. Fernando explica que a produção orgânica gera mais receita por hectare e lucros mensais.
A produção é de 600 toneladas de verduras e legumes por ano. Tudo sai lavado e embalado para clientes nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Cada bandeja é vendida, em média, a R$ 5,50. A variação de preços não é motivo de preocupação.

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De acordo com o produtor, o orgânico tem preço estável o ano inteiro, ao contrário do convencional, que tem altas e baixas. A pouca variação dá segurança maior para o produtor.
O retorno e a estabilidade financeira, além da preocupação com a natureza, também motivaram Paulo Kawakami, de Piedade (SP), a investir na produção orgânica. O agricultor explica que aos poucos foi ampliando o investimento em orgânicos. Atualmente, tem mais de 30 itens na propriedade. São cerca de 200 toneladas de frutas, legumes e verduras por ano.
Os 20 hectares plantados ficam protegidos por uma barreira natural de 280 hectares de mata nativa. O caqui representa a maior parte da produção, com 20 toneladas por ano. Também tem laranja, alface, tomate, alho-poró, couve, cenoura, cebola e temperos cultivados desde a muda até a colheita. Tudo com o selo de orgânico. O cultivo de alimentos orgânicos tem algumas características bem específicas. O mato, por exemplo, não é sinal de descuido. Ele serve para controlar a temperatura e manter a umidade do solo. Os produtores fazem parte de um grupo empreendedor que só cresce no Brasil. Dados do Ministério da Agricultura mostram que o faturamento com o cultivo de alimentos orgânicos no país já passa de R$ 2,5 bilhões por ano.

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