Onda de protestos mostra insatisfação contra o governo interino de Temer

Extinção do MinC, ministros citados na Lava Jato e falta de representação feminina geram pedidos por novas eleições

Publicado em 25/05/2016

Manifestações de repúdio ao governo de Michel Temer marcaram os primeiros dias após a votação do Senado que determinou o afastamento da presidenta Dilma Rousseff. Cidades como São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro tiveram os maiores atos.
No dia 15, em São Paulo, milhares de manifestantes marcharam contra o presidente interino Michel Temer. Eles se reuniram na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista, por volta das 14h e, as 15h20, saíram em caminhada até a Praça Roosevelt, no centro da capital paulista, onde chegaram por volta das 17h. Chegando lá, os manifestantes decidiram em assembleia voltar até a sede da FIESP, na Av. Paulista, onde aconteceram mais protestos.
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Temer em São Paulo recebe ‘Serenata do Protesto’


No dia 22 de maio, após saírem em passeata do Largo da Batata, zona oeste paulistana, manifestantes contrários ao governo interino cercaram a praça onde fica a casa de Michel Temer. O protesto, convocado pela Frente Povo Sem Medo, que reúne movimentos sociais.
A fim de evitar as manifestações Temer deixou sua residência e antecipou seu retorno para Brasília.
Cerca de três mil manifestantes seguiu em passeata rumo à casa do presidente, no Alto de Pinheiros. A equipe de segurança determinou o fechamento do acesso às ruas próximas a casa dele.

Virada Cultural em São Paulo vira protesto contra Michel Temer
A virada cultural deste ano, também foi marcada por uma onda de protestos contra a atual gestão do presidente interino, muitos telões de shows exibiram frases com dizeres de “Fora Temer” e “Temer Jamais”.
Grupos como Ocupe a Democracia e Arrua distribuíram cerca de sete mil cartazes para o público. Durante os shows, palavras como “Fora Temer” eram entoadas pelo público no intervalo das músicas e também surgiam faixas maiores, na maior parte das vezes contra o governo, mas também em apoio aos estudantes secundaristas de São Paulo, que vêm protestando contra mudanças no ensino estadual e a chamada “máfia da merenda”.
Mas os protestos não ficaram apenas entre o público, muitos artistas também manifestaram críticas sobre as mudanças no MinC, Alcione lembrou o desastre ambiental causado pela Samarco em Mariana (MG), enquanto Elza Soares pediu “mais revolta” da população, sem citar nomes.Veja Também: Grupos protestam contra visita de José Serra à Argentina


Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba e Florianópolis também tem onda de protestos
No Rio de Janeiro, onde o Palácio Capanema está ocupado desde a última semana, manifestantes se reuniram em uma passeata que teve origem na Candelária. No centro da capital fluminense foi colocado um tapete vermelho em simulação ao Festival de Cannes, na França, onde cineastas e artistas protestaram contra o governo Temer. As manifestações reuniram cerca de 500 pessoas.
Em Brasília, manifestantes também se reuniram próximo ao Palácio do Jaburu, residência oficial da vice-presidência, onde Temer vive. Desde a semana passada já houve protestos contra Temer também em Belo Horizonte, Curitiba e Florianópolis.
Brasileiros continuam insatisfeitos e preferem novas eleições em outubro
Segundo pesquisa do instituto Ibope, divulgada neste final de semana, apenas 8% dos entrevistados se sentem representados com Temer. Não por acaso 62% afirmam que preferiam ter novas eleições em outubro deste ano.
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Novas Eleições, votos brancos e nulos
Apesar de o voto no Brasil ser obrigatório, o eleitor, de acordo com a legislação vigente, é livre para escolher o seu candidato ou não escolher candidato algum.
Mas qual é a diferença entre voto branco e voto nulo? O voto em branco é aquele em que o eleitor não manifesta preferência por nenhum dos candidatos. Enquanto o voto nulo é aquele em que o eleitor manifesta sua vontade de anular o voto. Atualmente, vigora no pleito eleitoral o princípio da maioria absoluta de votos válidos, conforme a Constituição Federal e a Lei das Eleições. A contagem dos votos de uma eleição está prevista na Constituição Federal de 1988 que diz: “é eleito o candidato que obtiver a maioria dos votos válidos, excluídos os brancos e os nulos”.
Ou seja, os votos em branco e os nulos simplesmente não são contados. Por isso, apesar do mito, mesmo quando mais da metade dos votos forem nulos, não é possível cancelar uma eleição.Curta nossa Fanpage no Facebook

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