Testemunhas que escaparam da Chacina em Osasco e Barueri contam como foi o terror

Grupos de extermínio formados por policiais militares são principais suspeitos

Publicado em 17/08/2015

Numa das piores chacinas da história. A principal suspeita é de que grupos de extermínio, formados por policiais, estejam envolvidos nos assassinatos em série.
Testemunhas falam sobre o carro Peugeot prata, um senhor conta que estava em uma loja quando o carro estacionou na frente e simplesmente deu dois tiros.
A vítima foi um jovem de 16 anos. A testemunha diz que os assassinos, dois homens encapuzados, desceram do carro. Um eles e chegou a apontar uma arma apontada para a cabeça da testemunha. “Eu pensei que ele fosse atirar. Foi um milagre de Deus mesmo”, conta o senhor.
”As pernas travou. Você não sabe o que faz da sua vida. Só pensa em Deus, Nossa Senhora”, diz o dono da bar onde duas pessoas foram mortas, em Osasco.
O comerciante conta que no carros eles não usavam capuz, só esconderam o rosto no momento do crime. “Desceu encapuzado. Não falou nada, desceu e deu os disparos, seis disparos. E eu entrei para dentro, só fiquei rezando de joelho, para me salvar”, diz.
Na noite seguinte, 24 horas depois do ataque, não havia nenhum bar ou comércio aberto no local. Foi a sexta-feira mais silenciosa do ano.
Alguns moradores reclamam que o policiamento demorou para aparecer na região. “O pessoal esperou acontecer a chacina pra depois colocar a polícia na rua? Por que que ontem não teve? Por que antes de ontem não teve? Ou por que que semana passada não teve?”, questiona um morador.
Até agora, a principal suspeita aponta para o envolvimento de policiais militares na chacina. A polícia já sabe que pelo menos dez pessoas, divididas em três grupos, participaram dos 18 assassinatos. E que as armas utilizadas eram de calibres 38, 380 e 9 milímetros.
Há informações também, sobre o carro prata usado pelos bandidos. “Quatro pessoas que estavam dentro do Peugeot prata”, diz o secretário.
Quanto ao perfil das vítimas. “Não estavam foragidas, não tinham prisão decretada. Mesmo as seis vítimas que tinham passagens pela polícia eram passagens, algumas por lesão corporal, receptação culposa. Nenhuma das vítimas foi morta por estar praticando algum crime”, destaca o secretário.
A suspeita é de que a chacina foi por vingança, depois de duas mortes recentes na região. Sete de agosto, o cabo da Polícia Militar Avenilson Pereira de Oliveira é morto a tiros durante um assalto a um posto de combustíveis, em Osasco. Ele não estava fardado.
Em Barueri, um dia antes da chacina. O guarda civil Jeferson Rodrigues reage a um assalto e também é morto a tiros. O crime foi no comércio dele, uma revendedora de bebidas.
Um dos 18 mortos é o ajudante geral Deivison Lopes Ferreira, de 26 anos. O corpo dele ficou 12 horas no chão, à espera do Instituto Médico Legal.
Deivison ia para a casa de um amigo. O irmão acha que ele teve dificuldade na hora de falar com o assassino. Deivison foi morto com seis tiros e, dezoito anos atrás, o pai dele foi assassinado no mesmo bairro, também com 6 tiros.

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