Governo de São Paulo confirma três mortes por febre amarela, uma das vítimas era de Santana de Parnaíba



Publicado em 26/01/2017

Em meio ao surto crescente de febre amarela em Minas Gerais — e à investigação de 19 casos suspeitos no Espírito Santo —, o governo de São Paulo confirmou, nesta segunda-feira, as primeiras três mortes causadas pela doença este ano. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, uma das vítimas foi infectada em terras mineiras, mas o caso foi notificado quando ela morreu, em Santana do Parnaíba, na Região Metropolitana de São Paulo. Já os outros dois pacientes contraíram o vírus nos municípios de Américo Brasiliense e Batatais, ambos no interior paulista. As autoridades locais investigam ainda dez casos suspeitos: sete pacientes estão internados e três morreram. Todas as ocorrências sob investigação se referem a pessoas infectadas em Minas.
Em solo mineiro, já são 391 os casos notificados, dentre os quais 58 já foram confirmados, segundo o boletim divulgado ontem pela Secretaria de Saúde de Minas Gerais. Entre as mortes, 32 foram comprovadamente causadas por febre amarela, e 52 seguem sob investigação.
No Espírito Santo, até o momento, nenhuma das 19 ocorrências notificadas foi confirmada oficialmente. Um motivo de preocupação, no entanto, é que exames confirmaram a febre amarela silvestre em macacos mortos encontrados nos municípios capixabas de Colatina e Irupi. Este é o principal indício de que o vírus está circulando naquela parte do estado.
Por isso, o Espírito Santo solicitou ao Ministério da Saúde um milhão de novas doses da vacina contra a febre amarela. A expectativa é de que elas comecem a chegar esta semana.
“Se chegas às cidades será explosivo”
O surto atual é provocado pela febre amarela silvestre, transmitida pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes. A confirmação em São Paulo de duas infecções autóctones — ou seja, contraídas dentro do estado — faz aumentar o receio de que o surto se espalhe, aproximando-se de grandes cidades, infestadas pelo Aedes aegypti, mosquito capaz de transmitir a doença em área urbana e conhecido por ser vetor dos vírus de dengue, zika e chicungunha.


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— Se o vírus chegar às cidades e passar a ser transmitido pelo Aedes, o surto será explosivo. É o que não podemos permitir — ressalta Pedro Tauil, doutor em Medicina Tropical e professor da Universidade de Brasília (UnB). — Por isso, a estratégia correta é mesmo aumentar a vacinação em Minas e em São Paulo e vacinar as cidades do Espírito Santo e do Rio de Janeiro próximas à divisa mineira.
Segundo ele, é preciso cautela, mas os casos de São Paulo não significam, necessariamente, o início de um surto no estado.
— Se o bloqueio no entorno de Minas for feito corretamente, com a vacinação da maior parte das pessoas, não acredito que haja risco de a febre amarela se espalhar — analisa ele.
A Secretaria do Estado de Saúde de São Paulo também destacou que não é raro ter ocorrência da doença. No ano passado, por exemplo, foram confirmados dois registros de febre amarela silvestre em humanos, e, em ambos os casos, os pacientes morreram. Este mês, o governo paulista recebeu um lote extra de 400 mil vacinas, que serão destinadas ao interior do estado.
Segundo o infectologista Francisco Ivanildo de Oliveira Junior, do Instituto Emilio Ribas, os casos autóctones em São Paulo ocorreram em regiões do estado onde já existe recomendação de vacinação, devido à possível presença do vírus. Mas ele acredita que é possível um aumento no número de casos no estado.
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