Guerra invisível: estamos prestes a ver uma Guerra Mundial Cibernética?

A empresa de segurança VBA32 descobriu a existência de um malware complexo que infectou e danificou as usinas de enriquecimento de urânio do Irã.

Publicado em 24/11/2016

No mundo físico, é fácil saber quando um conflito violento foi iniciado, mas no mundo virtual, porém, as coisas costumam ser mais nebulosas. Algumas pessoas defendem que não perceberemos quando a Primeira Ciberguerra Mundial for iniciada — outras dizem que ela já começou faz tempo e segue ocorrendo neste exato momento. Mas, se seguirmos essa linha de raciocínio, podemos dizer que esse conflito digital teve suas origens em 2010.
Foi em junho daquele ano que a empresa de segurança VBA32 descobriu a existência do Stuxnet, um malware complexo que infectou e danificou as usinas de enriquecimento de urânio do Irã. Foi a primeira vez que um vírus de computador ultrapassou a barreira entre o físico e o digital, criando não apenas prejuízos financeiros incalculáveis, mas também um risco de tragédias reais que poderiam afetar milhões de vidas inocentes.



Soldados digitais
Seis anos após sua descoberta, ninguém sabe quem foi o criador do Stuxnet. Porém, a teoria mais aceita é a de que o malware seria, na verdade, uma arma cibernética criada pelos Estados Unidos em parceria com Israel, com o intuito de prejudicar o programa nuclear iraniano. Visto que quase 9 mil máquinas do país também foram afetados pelo vírus, a Rússia acabou sendo descartada como possível culpada por trás do ataque.
De lá para cá, o número de ataques cibernéticos sofridos por grandes potências globais tem aumentado de forma vertiginosa. O melhor exemplo que podemos citar é o misterioso ataque de negação de serviço organizado no dia 21 de outubro e direcionado à Dyn, uma das maiores operadoras de DNS dos EUA. O feito congelou a operação de uma série de websites e serviços importantes do país, incluindo Twitter, Amazon, PayPal, Spotify e Netflix.



A nova Guerra Fria?
Não demorou muito para que internautas começassem a enxergar o ataque como uma operação conjunta de hackers patrocinados pela Rússia. Afinal, dias antes, oficiais estadunidenses culparam o país em público pelo vazamento de quase 20 mil emails trocados entre membros do Comitê Nacional Democrata, responsável pela coordenação do Partido Democrata dos Estados Unidos. O vazamento foi divulgado através da plataforma WikiLeaks.
Para o Departamento de Segurança do país, apenas oficiais russos de alto escalão poderiam ter colaborado com o roubo de informações — que, na teoria, foi de suma importância para definir os rumos das eleições presidenciais de 2016. Afinal, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, já demonstrou ter “maior afinidade” com o republicano Trump, vencedor das eleições, do que Hillary Clinton, do Partido Democrata.
O ataque aos servidores da Dyn ocorreu pouco tempo depois que os EUA ameaçaram retaliar a Rússia à altura dentro do campo cibernético.



Veja Também: Reforma da Previdência terá de lidar com disparidade de expectativa de vida



TAO: os hackers de elite dos EUA
Quase todas as grandes potências globais já possuem, dentro de seu setor de segurança nacional, algum tipo de força de elite formada por hackers contratados para defender os interesses de seu país caso realmente venhamos a presenciar uma ciberguerra mundial. Os Estados Unidos, por exemplo, possuem o Office of Tailored Access Operations (TAO), que pode ser traduzido como Escritório de Operações de Acessos Adaptados. Um grupo de profissionais altamente capacitados que, a serviço da Agência Nacional de Segurança (NSA), são capazes de identificar, monitorar e se infiltrar em sistemas computadorizados de fora dos Estados Unidos.
Em uma entrevista concedida à VICELAND, Jorg Schindler, repórter do site alemão Der Spiegel, afirmou que não é possível saber o real tamanho e verdadeiras intenções do TAO — porém, sabe-se que o grupo desenvolve e utiliza ferramentas que visam invadir todo e qualquer dispositivo eletrônico, com o intuito de “ficar de olho” em nações rivais e interceptar comunicações que sejam importantes.



Outros países
De acordo com o jornalista investigativo Andrei Soldatov, a maioria das atividades militares cibernéticas da Russia são coordenadas pelo Serviço de Segurança Federal (ou FSB, no original em inglês).
Já a Coreia do Norte possui a Bureau 121, uma agência formada por quase 2 mil hackers de elite selecionados a dedo pelas forças militares coreanas.
Os chineses, também contam com um exército cibernético próprio, que costuma ser referenciado como pelo código Unidade PLA 61398. Especializado em espionagem industrial e manobras ofensivas contra redes estrangeiras.
O Brasil também possui uma infraestrutura militar para nos defender caso o país acabe se envolvendo em uma guerra virtual de proporções mundiais. Trata-se do Centro de Defesa Cibernética (CDCiber), unidade que responde diretamente ao Ministério da Defesa.



Curta nossa Fanpage no Facebook


Publicidade

© 2016 - Jornal NC. Todos os direitos reservados