Venezuelanos batem à porta do Brasil

Há desde médicos até estudantes que já estão no Estado e pedem a qualificação de refugiado

Publicado em 15/09/2016

O reconhecimento de refugiados da Venezuela está na iminência de provocar uma enxurrada, no Brasil, de pessoas que querem fugir do caos socioeconômico em seu país. O Conselho Nacional de Refugiados (Conare) diz que, nos últimos três anos, houve 2.238 pedidos de refúgio de venezuelanos (37% deles em Roraima).
– O maior número de pedidos de refúgio, nos últimos meses, é da Venezuela. Desde janeiro, são muitos que pedem. O conflito ainda não está reconhecido. Desde o ano passado, vem fermentando a questão da Venezuela. O que se está esperando? O estudo das Nações Unidas que estabeleça que determinado país, no caso a Venezuela, está mesmo com problemas – diz a representante do Acnur (braço das Nações Unidas para os refugiados) no Rio Grande do Sul, Karin Wapechowski.

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No Brasil em geral e no Rio Grande do Sul em particular, acumulam-se pedidos de refúgios por parte de venezuelanos. Há desde médicos até estudantes que já estão no Estado e pedem a qualificação de refugiado.
– Estão bem caracterizadas as perseguições individuais na Venezuela, em sua maioria promovidas pelo Estado venezuelano. Isso justifica uma boa avaliação. Em tese, justifica o refúgio. Mas é muito delicado. Quando um país aceita o pedido de refúgio, quer dizer que aquele país de onde saem as pessoas não está sendo capaz de proteger seus cidadãos. Isso, diplomaticamente, é péssimo. No momento em que um país diz que outro não está bem, isso pode causar algum estremecimento diplomático – acrescenta Karin. Na América Latina, os países têm pruridos diplomáticos ao caracterizar uns aos outros.
– O Brasil precisa que a ONU faça uma avaliação e tenha uma justificativa do porquê de o Estado venezuelano não proteger seus cidadãos. Porque o refúgio é isto: é proteção às pessoas ao se constatar que outro não foi capaz. Esse tipo de decisão envolve a diplomacia, questões comerciais, muitos problemas. A Venezuela está em análise – diz a representante do Acnur.


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