Revistar o celular, exigir senhas, entrar nas redes sociais? O que podem fazer os agentes de imigração dos EUA

Não se trata de uma regra criada por Donald Trump. Foi Barack Obama que a implementou em 2009. Os agentes do serviço americano de Alfândega e Proteção das Fronteiras (CBP, na sigla em inglês) podem, inclusive, reter aparelhos e fazer cópias dos dados

Publicado em 23/02/2017

Não se trata de uma regra criada por Donald Trump. Foi Barack Obama que a implementou em 2009. Os agentes do serviço americano de Alfândega e Proteção das Fronteiras (CBP, na sigla em inglês) podem, inclusive, reter aparelhos e fazer cópias dos dados.
O jornalista Ali Hamedani, viveu isso na pele há alguns dias ao desembarcar no Aeroporto Internacional O’Hare, em Chicago, no norte dos Estados Unidos. Ele nasceu no Irã e tem passaporte britânico.
No fim de janeiro, Trump assinou uma ordem executiva impondo restrições à entrada de cidadãos de sete países de maioria muçulmana - entre eles, o Irã - e proibindo a recepção de refugiados nos EUA (medida atualmente suspensa). Após passar pelo controle de visto e passaporte, Hamedani foi levado à uma sala de espera. “O momento mais difícil foi quando o agente (do CBP) pediu a senha do meu telefone”, relatou Hamedani. Embora ele tenha advertido que havia ali informações confidenciais de seu trabalho como repórter, os agentes insistiram. Hamedani cumpriu a ordem. Os agentes pegaram o aparelho e “tentaram mantê-lo desbloqueado o máximo possível para poder vasculhá-lo”, conta. ”Um deles acessou minha conta no Twitter. Ele tentava descobrir meu ponto de vista político, se eu apoiava alguém, se tinha alguma ideia extremista ou não”, diz.
Foi perguntado se Hamedani teve treinamento militar em alguma base no Irã, quando foi a última vez que esteve no país e por que tinha um passaporte britânico em vez de um iraniano.
“Não foi nada agradável”, conta ele, que compara a experiência à ocasião em que foi preso no Irã por causa de seu trabalho como jornalista.

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O novo diretor do Departamento de Segurança Interna, John Kelly, informou estar considerando mudar a política aplicada a estrangeiros.
“Queremos ter acesso às suas redes sociais, senhas. O que fazem com elas? O que dizem?”, disse Kelly em uma audiência na Comissão de Segurança Interna da Câmara de Representantes. “Se não quiser cooperar, não entra.”
Mas, enquanto isso não for implementado, nenhum agente pode pedir senhas de aparelhos ou perfis em redes sociais. “Não estamos pedindo. Só podemos pedir para inspecionar o dispositivo, algo aplicado a qualquer viajante”, disse à BBC um porta-voz do CBP.
No caso das redes sociais, há um formulário de preenchimento voluntário aplicado desde dezembro a cidadãos de 38 países dos quais os Estados Unidos não exigem visto.Curta nossa Fanpage no Facebook


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