Polícia prende 4 vereadores de Carapicuíba acusados de fraudar processos seletivos

Os vereadores foram detidos durante a Sessão da Câmara no dia 23

Publicado em 02/09/2016

A polícia prendeu quatro vereadores de Carapicuíba na grande são Paulo e uma ex-diretora de Recursos Humanos da Prefeitura, eles são acusados de fraudar processos seletivos para cargos públicos, tudo isso em troca de votos.
Jefferson Macedo (PSDB), Elias Cassundé (PPS), Nenê Crepaldi (PPS) e Carlos Japonês (PPS) foram detidos durante a sessão ordinária da Câmara Municipal. Também foi presa a ex-secretária de Administração, Elaine Cristina Pereira. Todas as prisões são preventivas. Além disso, o candidato a prefeito Everaldo Francisco da Silva (PT) e o ex-deputado estadual Isac Reis (PT) estão foragidos.

Segundo o Ministério Público (MP), processos seletivos realizados entre 2014 e 2016 que resultaram na contratação dos servidores apresentaram várias irregularidades, como falta de ampla divulgação de prazos e locais, falta de previsão do número de vagas, prazo muito curto para inscrição e rasuras nas provas.

Permanecer nos cargos através de contratação de cabos eleitorais e garantir um número de votos suficientes para isso foi, segundo o MP, a motivação principal do esquema. Cada parlamentar tinha uma cota determinada para o preenchimento das vagas, que segundo a promotora Sandra Reimberg, o esquema incluía concursos fraudados para justificar as admissões. Falta de correção das provas aplicadas e anúncio das vagas na véspera da prova são fatos que evidenciam a suspeita de esquema.

A necessidade de aval dos vereadores, informação dada por um funcionário da própria prefeitura, foi o que motivou a denúncia de uma pessoa que tentou se candidatar a uma das vagas oferecidas pelo programa, assim o esquema foi descoberto.

Ainda segundo a promotora Sandra Reimberg, “O Everaldo e a Elaine recebiam as indicações e por meio desses estratagemas conseguiam colocar as pessoas entre as convocadas”. Secretária de Administração, Elaine Pereira e Everaldo Silva foram apontados como responsáveis por abrir as seleções fraudulentas e contratar os apadrinhados políticos.

Os envolvidos utilizaram o Programa Municipal de Saúde da Família para colocar em prática o plano de fraude que os beneficiariam. Com o desdobramento das investigações, a Justiça mandou suspender 210 contratos de funcionários da área da saúde, entre eles de enfermeiros, técnicos em enfermagem e agentes comunitários, com salários entre R$ 979,00 e R$ 2.740,00.

Diante do risco iminente de destruição de provas pelos acusados, e provável intimidação de testemunhas, foi que a Justiça autorizou a prisão preventiva dos acusados. “São Pessoas ainda envolvidas dentro da administração, que poderiam modificar provas, pressionar testemunhas e continuar envolvidas nessas fraudes contra a administração pública”, declarou Camila Moura e Silva, promotora de justiça.

Alguns vereadores tentaram eliminar registros incriminadores, segundo investigação, através de formatação de computadores. “Quando fomos fazer as buscas e apreensões nos gabinetes dos vereadores, foi constatado que os computadores tinham sido formatados. Foram apagados integralmente sem que isso fosse resolvido pelos técnicos de informática da Câmara Municipal. Os próprios vereadores fizeram para apagar uma série de rastros”, disse a promotora.
Em maio deste ano, o vereador de Carapicuíba, Paulo Xavier (PSDB) foi preso com mais cinco funcionários fantasmas contratados pelo gabinete do parlamentar. Sua esposa e sogra também foram presas preventivamente, pela Polícia Civil, em uma ação do Ministério Público do Estado de São Paulo.

O vereador foi acusado de nepotismo – contratação de familiares – e de contratação de funcionários fantasmas. O ex-vereador Paulo Xavier e os envolvidos permanecem preso.Curta nossa Fanpage no Facebook


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