O controverso modelo ‘linha dura’ de educação que pôs um pequeno país asiático no topo de ranking mundial

Cingapura é a alta qualificação dos professores, de acordo com Dimmock

Publicado em 27/09/2018

O bom desempenho educacional do país é resultado da combinação de alguns fatores fundamentais, como uma burocracia governamental formada nas melhores universidades do mundo, com uma missão bem definida: transformar Cingapura, ex-colônia britânica, em um dos países mais ricos, desenvolvidos e educados do mundo.
“As mentes mais brilhantes em Cingapura são as que dirigem o governo, e isso faz uma grande diferença”, afirma o professor Clive Dimmock, da Universidade de Glasgow, no Reino Unido, que foi convidado pelo Instituto National de Educação (NIE, na sigla em inglês) para orientar um programa sobre liderança e a relação entre ensinar e aprender.
Outra peça fundamental para o sucesso de Cingapura é a alta qualificação dos professores, de acordo com Dimmock. Diferentemente do que acontece no Brasil, a educação cingapuriana atrai os melhores alunos recém-graduados nas universidades. Uma das razões é o salário. Um professor no país ganha o equivalente a um profissional da indústria ou do setor bancário. A remuneração varia de acordo com sua formação e o tempo de trabalho.
A média inicial varia entre 1,6 mil dólares de Cingapura (R$ 4,8 mil) a 3,5 mil (R$ 10,5 mil). Bônus por desempenho em sala de aula são parte dos incentivos que mantêm a elite pedagógica trabalhando 9 horas por dia, inclusive com horas extras nos finais de semana.

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A Educação é parte fundamental do motor de desenvolvimento do país. Cerca de 20% do orçamento total do Estado é destinado à Educação. “Nenhum dinheiro é poupado nas instalações de treinamento, então eles têm tecnologia, laboratórios, ótimas instalações e um modelo instrucional com excelentes livros”, afirma Dimmock.
Para unificar o metódo e a busca pela excelência, todos os professores passam por um mesmo centro de formação do NIE, o braço executor do Ministério de Educação.
Razões culturais e políticas facilitam a organização de um sistema hierarquizado. A formação permanente dos professores também é uma prioridade. Anualmente, cada professor deve participar de ao menos 100 horas de atividades extras que inclui formação, participação em seminários e em grupos de professores para compartilhar experiências e testar novos métodos. Mas antes de ser uma potência econômica e uma referência em Educação, o país estava entre os países mais pobres da Ásia.
Formada por imigrantes chineses, malaios e indianos, em 1965, quando Cingapura se torna um Estado independente, a ênfase na educação não se tratava somente de um ajuste de contas com a história de um país de analfabetos, onde apenas a elite tinha acesso à educação.
Para deixar o rastro de colônia atrás, o país tinha que se erguer como uma potência econômica. E o recurso disponível onde até então havia um decadente porto comercial seria investir na população, seu único “recurso natural”. Sob o comando do primeiro-ministro Lee Kuan Yew, a educação seria uma das prioridades no novo regime com um duplo objetivo: formar uma nação unificada de língua inglesa entre uma população multilíngue e abastecer fábricas com trabalhadores.
Para Cingapura sobreviver e prosperar, “o que é necessário é uma comunidade robusta, resoluta, altamente treinada e altamente disciplinada”, disse Kuan Yew em 1966.
A disciplina é marcada por um governo autoritário, centralizador, onde liberdades individuais e de imprensa estão cortadas.
O pacto social de obediência promete segurança social e bem-estar. Cingapura, assim como parte de seus vizinhos, não pode ser considerado como uma democracia eleitoral. O mesmo partido governa o país desde sua independência.

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