Fiscais identificam trabalho escravo na linha de produção da Animale

Imigrantes bolivianos recebiam, em média, R$ 5 para costurar peças de roupa vendidas por até R$ 698 em lojas da Animale e A.Brands

Publicado em 21/12/2017

Trabalhadores de três oficinas que produzem roupas para as marcas Animale e A.Brand, pertencentes ao Grupo Soma, foram encontrados em situação análoga à escravidão por uma equipe da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego e auditores da Receita Federal. Imigrantes bolivianos, os costureiros cumpriam jornadas superiores a 12 horas diárias na região metropolitana de São Paulo.
Os auditores constataram trabalho análogo ao escravo devido às jornadas exaustivas e às condições degradantes - elementos que caracterizam o crime, segundo o Código Penal. Em todas as oficinas os costureiros faziam jornadas acima dos limites legais. Em uma delas, os imigrantes costuravam das 7h às 21h, com apenas uma hora de descanso.
As longas jornadas eram resultado do sistema de remuneração por produção somado a padrões de costura extremamente detalhados para cada lote de peças, todos estabelecidos pela empresa.

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O pagamento dos trabalhadores era feito por peça produzida. Eles recebiam, em média, R$ 5 por cada produto finalizado. Nas lojas da Animale e A.Brand, as mesmas peças chegavam a ser vendidas por até R$ 698, de acordo com os fiscais do trabalho que encontraram os bolivianos. A operação foi realizada no mês de setembro.
Também de acordo com os fiscais que participaram da investigação, as máquinas de costura eram posicionadas ao lado das camas em que os trabalhadores dormiam. Além disso, crianças brincavam no local, entre as máquinas e as pilhas de tecidos.
Agora, com a inclusão das marcas, a lista de grifes envolvidas em casos de trabalho escravo aumentou para 37, segundo dados da ONG Repórter Brasil.


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