Estudo da USP usa quimioterapia mais intensa aliada a transplante de célulastronco para controlar diabetes



Publicado em 08/06/2017

Duas vezes por ano, o veterinário Otávio de Jesus Costa viaja de São Luiz do Maranhão (MA) até Ribeirão Preto (SP) para fazer exames no Hospital das Clínicas da USP. Em 2011, ele foi diagnosticado com diabetes tipo 1, mas graças ao tratamento com transplante de células-tronco realizado na unidade, deixou de usar insulina diariamente.
“Passei a ter o controle da alimentação, a fazer exercícios físicos regulares, e isso me deu uma qualidade de vida muito melhor. A insulina, queira ou não, é um inconveniente na vida das pessoas. Então, para mim, esse tratamento ajudou demais”, diz.
A terapia consiste em “desligar” o sistema imunológico do paciente através de sessões agressivas de quimioterapia. Depois, os médicos introduzem na corrente sanguínea as células-tronco que foram retiradas, previamente, da medula óssea do próprio paciente.
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Costa é um dos três que participaram da primeira fase do estudo e que continuam livres das injeções de insulina até hoje. Outros 21 pacientes obtiveram resultado positivo temporário: na média, o efeito terapêutico durou três anos e meio.
“Percebemos que o problema foi a quimioterapia insuficiente. Então, nós sabemos que aqueles pacientes que voltaram a usar insulina é porque o sistema imunológico voltou a agredir o pâncreas”, explica a imunologista Maria Carolina de Oliveira Rodrigues.

Nova fase
O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, ou seja, o próprio sistema imunológico destrói as células do pâncreas responsáveis por produzirem insulina. A partir da primeira fase do estudo, os pesquisadores descobriram que nos pacientes que ficaram “curados” as células de imunidade foram menos ativas, ou seja, atacavam menos o pâncreas.
A descoberta abre caminho para melhorar os resultados do tratamento, com a promessa de deixar todos os pacientes livres das aplicações de insulina. Por isso, na segunda fase da pesquisa, o objetivo é aumentar a dose de quimioterapia com o objetivo de “apagar” quase que completamente o sistema imunológico.
“A gente está tentando ver o que essa quimioterapia intensiva é capaz de fazer em longo prazo e o nosso grande desafio é manter o paciente sem insulina usando um protocolo de pesquisa que não seja tão agressivo”, diz o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, um dos coordenadores do estudo.
Inicialmente, participaram voluntários entre 12 e 35 anos de idade. Agora, a faixa etária é a partir de 18 anos, já que a quimioterapia é mais agressiva. Além disso, são exigidos pacientes com até seis semanas de diagnóstico, porque ainda têm entre 15% e 20% do pâncreas preservado, ou seja, produzindo insulina.
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