Desemprego e o menor consumo prejudicam a economia do país

Desemprego e freio no consumo ajudam a explicar números frustrantes na economia

Publicado em 30/05/2018

O ano de 2018 não começou como os economistas esperavam. A retomada que se desenhou no ano passado, que já era fraca, perdeu fôlego e provocou uma onda de revisões para o desempenho no primeiro trimestre.
De acordo com consultorias e instituições financeiras, espera-se em média, uma alta de 0,4% no Produto Interno Bruto (PIB) no período entre janeiro e março, na comparação com o trimestre imediatamente anterior, outubro a novembro, já descontada a sazonalidade.
No fim do ano passado, algumas das estimativas para o início de 2018, que o IBGE divulga nesta quarta-feira, passavam de 1%.
Entre os principais fatores de frustração, pelo lado da demanda, está o consumo das famílias, que representa 60% do PIB e que vem sendo afetado negativamente pelo desemprego, mais elevado do que se esperava.
Esse freio no consumo se manifesta especialmente nos serviços, que, nos três primeiros meses do ano, tiveram desempenho muito aquém do que se previa, como mostram as divulgações mensais da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS).
O cenário externo, por sua vez, que até o ano passado jogava a favor do Brasil, agora está mais adverso: o dólar e o petróleo mais caros e a possibilidade de guerra comercial entre Estados Unidos e China podem ter impacto negativo sobre a atividade econômica.
O impacto da greve dos caminhoneiros, que causou prejuízos em vários setores da economia, deverá ser sentido nos dados do segundo trimestre.

Veja Também: Greve de caminhões deixa postos sem etanol prejudicando setores e serviços

Informalidade e desemprego
O país tem dificuldade para gerar novas vagas, especialmente com carteira assinada. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua mostra alguma recuperação na ocupação desde junho do ano passado, quando, depois de 22 meses consecutivos de retração - ou seja, de redução no volume de pessoas empregadas - ela voltou a cresceu.
Essa retomada, contudo, se dá através do trabalho informal e do por conta própria, categorias mais precárias. Desde fevereiro de 2015, o trabalho com carteira na Pnad Contínua está em terreno negativo. Mudança no cenário externo. O crescimento de 1% do PIB em 2017, um resultado magro, diante da retração de 3,5% da atividade tanto em 2015 quanto em 2016, teve ajuda do cenário internacional, que manteve a cotação do dólar e do petróleo mais comportados. O dólar mais caro, diz Silvia Matos, do Ibre-FGV, em um primeiro momento tem impacto negativo sobre a indústria, já que aumenta o preço das importações e dificulta, por exemplo, a compra de máquinas e equipamentos lá fora.
As exportações poderiam ser beneficiadas no médio prazo, já que a desvalorização do real deixa os produtos brasileiros mais baratos em dólar - o problema é que as moedas da maioria dos emergentes também perdeu valor, reduzindo o ganho de competitividade do Brasil.

Greve de caminhoneiros
e risco eleitoral
Os economistas têm previsões melhores para os próximos trimestres, mas os riscos para o cenário até o fim do ano podem crescer. O segundo trimestre pode ser em parte prejudicado da greve de caminhoneiros, pondera a economista do Ibre-FGV, que em uma semana provocou prejuízos para o setor industrial e do agronegócio.
Para o segundo semestre, as eleições podem jogar contra a atividade. Caso a incerteza que se desenha neste início de ano se exacerbe - e não fique claro qual vai ser o caminho que a economia do país vai tomar nos próximos quatro anos, ela pode elevar o risco-país e deteriorar as condições financeiras.

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